segunda-feira, 2 de março de 2009

Teve dia numa festa que comi azeitona preta pensado que fosse brigadeiro. Morto de fome o garçom não passava na nossa mesa.
Teve dia que fui na padaria. Na volta vi o carro da minha tia. Fui correndo ao encontro de meus primos. O saco rasgou e caiu todo o pão no chão. Não sei porque me mandavam comprar pão naquela padaria, mesmo depois do vizinho ter achado uma meleca de nariz dentro do pão.
Teve dia que eu minha irmã achamos aquele ovinho do kinder ovo no chão. Aquele ovinho que vinha dentro do chocolate com brinquedo. Eramos viciados naquilo. O que a gente tinha achado não era de brinquedo, mas tinha umas coisas ilícitas dentro, coisas que eu e minha irmã não conhecia. Ainda bem que nós eramos crianças, senão iriamos entrar na faca...
Teve dia de praia até ficar preto, torrado, durante todo o verão.
Teve dia de excursão para o jardim zoológico.
Teve dia de patins na rua. Teve dia de bicicleta. Aprendendo.Atropelando velhinhas.
Teve dia de teatro. A Tempestade. Duende, de um ensaio apenas.
Teve dia de ganhar dinheiro fazendo teatro. Chapeuzinho Vermelho.Criança, sem saber nem o que era teatro...
Teve dia de gastar dinheiro fazendo teatro. Gastar bastante dinheiro.Mas teve dia de prêmio.
Teve dia de Papai Noel.
Teve dia de amigo indo embora, assim, indo embora....assim, assim...
Teve dia de decisão...te mala com tudo dentro. De mala com livro, roupa e escova de dente, tudo junto.
Teve dia...tiveram dias...aqueles dias, aquele dia.
Teve dia de pescaria. De pegar peixe e ter nojo de tirar do anzol.
Teve dia de primeira literatura.
Teve dias de filme a tarde, depois do colégio. De Calígula, que era um dos poucos filmes que não haviamos alugado naquela locadora, que só tinha filme dublado.
Teve dia de vento. Vento frio. Pedalar de bicicleta contra o vento, frio. Sinusite.
Também pedalar de bicicleta, no “museu”, em dia de chuva. Pneu careca, deslizante, quase tombar com ônibus.
Teve dia de “pizza da vovó”, marca fajuta. Laranjeiras.
Teve dia do primeiro contato. Conhecimento inicial. Terreno desconhecido.
Teve dia de cinema. Tamanquinhos coloridos com miçangas.
Tiveram dias, de anos. De conhecimento junto, de alegria. De crescimento.
Teve dia de conhecer um monte de gente, mas de uma gente especial.
De rir de tudo junto. De viver tudo juntos.
Tiveram dias de bons meses. Felizes
Tiveram dias de tempestade, mas sempre de calmaria. De profunda calmaria.
Teve dia de dar sustos vendo filme de terror.
Teve dia de fumar na janela vendo a lua.
Teve dia de identificar a lua minguante da crescente. De parar para perceber em meio a tanta correria.
Teve dia de acordar cedo e tomar café no Parque Lage. De descobrir, somente ao chegar, que estava fechado.
Teve dia de cinema. Muito cinema.
Teve dia de vacina, de segurar a mão pois detesta agulha.
Teve dia dos melhores capuccinos, com biscoito de chocolate.
Tiveram dias de espera. Esperar acordar e dizer que ama. Esperar chegar a noite e também dizer que ama...tiveram dias de apenas dizer que o amor, afinal, até o final, era reciproco.
Teve dia de conhecer a família. De fazer planos e de viver dos planos.
Teve dia de recordar do passado juntos. Do passado recente que mais parecia anos e anos.
Teve dia de passar todos os dias juntos.
Teve dia do saco de sal acabar.
Tiveram dias perdidos.
Terá dias por achar!

Um comentário:

Elzinha disse...

Lindo!

O amor é exatamente para
que essas linhas aconteçam,
e para que lindas palavras se encontrem com nossas lembranças.
0 amor detona a alegria
mas a falta desse amor
arrebata a nossa respiração,
e só nos resta, e que bom
que resta sobreviver vivendo dos
suspiros das nossas certezas
e da nossa coragem
em brincar com o fogo!!
Que venham sempre
momentos incendiários
em nossa vida
por que até o fogo tem
seu tempo certo
antes de virar cinzas.

te amo!