domingo, 19 de outubro de 2008
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Me lembro de quando a gente era criança. Sim.Criança. E parece que foi ontem. E a gente amadureceu assim, bem depressa. E com isso veio junto um monte de coisa. Um monte de coisa que acompanha esse amadurecimento. Coisas que crescem como erva daninha junto das sementes que plantamos na nossa horta. Não queria amadurecer. Queria continuar inocente contigo e contigo comigo mesmo contendo. A nossa inocência intocada. Nossas mandíbulas fora do lugar de tanto rir. Nossos olhares sempre cumplices.
Estou feliz contigo e acredito que contigo comigo também. As coisas vão saindo mesmo das linhas, e tudo se transforma numa nova pintura, que a gente nunca sabe o que vai dar, que a gente nunca sabe o que vai representar. Ceci n'est pas une pipe.
Pensando bem, ainda possuimos a nossa inocência. Pós-conhecimento, pós-muita-experiência. E sim, amadurecemos. Com toda a carga positiva ou negativa que essa palavra concreta fisicaliza em nossa vida.
Vivo feliz contigo e isso é o que mais importa. E digo isso sem dedos. Sem cabelos. Sem pele nenhuma no corpo. De alma e de todo coração.
Estou feliz contigo e acredito que contigo comigo também. As coisas vão saindo mesmo das linhas, e tudo se transforma numa nova pintura, que a gente nunca sabe o que vai dar, que a gente nunca sabe o que vai representar. Ceci n'est pas une pipe.
Pensando bem, ainda possuimos a nossa inocência. Pós-conhecimento, pós-muita-experiência. E sim, amadurecemos. Com toda a carga positiva ou negativa que essa palavra concreta fisicaliza em nossa vida.
Vivo feliz contigo e isso é o que mais importa. E digo isso sem dedos. Sem cabelos. Sem pele nenhuma no corpo. De alma e de todo coração.
sábado, 11 de outubro de 2008
Madeleines - cores - sabores - tempo
Rabisco no papel de pão.Disputo cada centímetro com minha mãe, que usa para tirar o excesso de gordura do bife à milanesa. Acabaram as folhas do caderninho preto. Acabaram as folhas do papel toalha Snob, marca preferida de minha mãe. Tenho que anotar tudo para providenciar mais tarde. Com urgência. Com máxima urgência. Escrevo com lápis, Faber-Castell número 2, ponta feita com faca, ponta quadrada, irregular...as primeiras palavras saem feias, mas depois a letra fica redondinha, como se estivesse usando caderno de caligrafia. Tento escrever todo o percurso de minha mãe na cozinha, todos os seus passos, os ingredientes que ela usa, o tempo estimado no forno de cada alimento. Com um olhar atento eu anoto, vigiando o relógio na parede e a altura do fogo. Em breve lançarei meu livro: receitas de mamãe no papel de pão.
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...os cheiros atiçam a minha memória. vem assim, involuntariamente. vem assim, como em Proust, sem nenhum esforço, um turbilhão de imagens. Às vezes é uma cor, um som, um sabor. nunca provei nenhuma madeleine, mas os doces de minha avó. quero lembrar o nome de um, mas não consigo. já lembrei do gosto em outras coisas que comi, mas nada é igual aquela espécie de pãozinho que ia ao forno. logo lembro do tabuleiro quente, do café com leite no copo de canudo. leite quente. via minha avó trocar de copo repetidas vezes para esfriar um pouco. copinho com canudo, de plástico.leite quente com um pouquinho de café. só um pouquinho, senão não gostava. feito pela Tiradentes da família. tinha pavor de minha avó quando ficava mole meu dente de leite. ela e seu lencinho cutando até ele cair.e por isso passou todos os meus primos. hoje, nem pensar. falam em psicologia infantil.os netos mais novos não passam pelo lencinho, todos vão ao dentista.mas tudo era esquecido com comilança na vovó. pãozinho de forno, bolo, suspiro, pé-de-moleque, café com leite no copinho de canudo, torrada como manteiga e açúcar...
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...os cheiros atiçam a minha memória. vem assim, involuntariamente. vem assim, como em Proust, sem nenhum esforço, um turbilhão de imagens. Às vezes é uma cor, um som, um sabor. nunca provei nenhuma madeleine, mas os doces de minha avó. quero lembrar o nome de um, mas não consigo. já lembrei do gosto em outras coisas que comi, mas nada é igual aquela espécie de pãozinho que ia ao forno. logo lembro do tabuleiro quente, do café com leite no copo de canudo. leite quente. via minha avó trocar de copo repetidas vezes para esfriar um pouco. copinho com canudo, de plástico.leite quente com um pouquinho de café. só um pouquinho, senão não gostava. feito pela Tiradentes da família. tinha pavor de minha avó quando ficava mole meu dente de leite. ela e seu lencinho cutando até ele cair.e por isso passou todos os meus primos. hoje, nem pensar. falam em psicologia infantil.os netos mais novos não passam pelo lencinho, todos vão ao dentista.mas tudo era esquecido com comilança na vovó. pãozinho de forno, bolo, suspiro, pé-de-moleque, café com leite no copinho de canudo, torrada como manteiga e açúcar...
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Qualquer movimento em falso pode resultar em catástrofe. Para mim. Para você. É tão difícil seguir uma linha reta, e tentar não se confrontar com nada? Principalmente aquilo que a gente cria. Que a gente escreve, que afirma com certeza absoluta e no final das contas nada se revela como é, em nossa mente demoníaca. Movimento em falso. São as palavras. As palavras que saem da minha boca. São as palavras e são as coisas que faço, que refaço, que enxerto no nosso dia-a-dia. Prometi, cumpri. Durante alguns segundos. Depois tudo se esvai. Tudo fica ali, exposto, esparramado, diante de uma figura patética, que não sabe o que diz. Que não sabe nem por que as palavras, e as coisas, e certos detalhes são ficcionais. Movimento em falso. Que não faça da sua própria ficção,realidade.
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