No novo filme de Bruno Dumont o desejo também é algo muito forte, mas com isso vem carregado de uma grande parcela de culpa. Celine é uma freira que é expulsa do convento por ser penitente em demasia e não ir ao encontro do que prega Jesus,. Do lado de fora ela conhece Yassin, um jovem mulçumano rebelde e que tem um irmão radical. Mais do que falar sobre a questão do imigrante de origem árabe na França ( Dumont não entra nesse questão), o foco do filme está na questão da identidade, e por conseguinte, no desejo. No sentido de querer ter/desejar algo metafísico demais e isso se refletir de forma muito latente na realidade. Digo isso no sentido amplo do campo da religião. Não só o cristianismo se desenvolve e ganha terreno no mundo a partir da pregação da culpa, e isso é muito cruel, muito covarde, levando em conta que a crença em Deus é algo muito abstrato para fazer do sofrimento algo muito concreto. Religare. Isso está além da religião, e a crença está além dela. Celine sofre o tempo inteiro, primeiro por identidade, depois por não poder ter aquilo que está tão longe: Deus. Ela afirma que serve a cristo, que vive por cristo. E sofre, por que não obtem respostas que correspondem ao seu desejo. O processo de culpa é diferente no mulçumano. Ele é radical, desses que pelo seu povo e por seu Deus se explodem, mutuamente. Digo isso no sentido da culpa. Celine diz para ele que vivemos numa democracia. Ele diz que não existe democracia. Por que a gente vota nas pessoas que estão ali no poder, logo, somos todos culpados. A noção de democracia não é muito bem compreendida e a culpa é purgada com ações mais drásticas e a partir dela um dia existirá a redenção. Mas quantos homens bombas serão preciso para obter o resultado do desejo? No mais, isso é apenas uma situação, porém Celine continuará perdida, desejosa, amarrada a essa grande invenção, dogmática, que é a religião.

1 comentários:
a lista de jonaser.
quero ver vários filme, se eu te convidar vc aceita?rs
beijos e saudade!
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