O que a companhia faz em cena é poesia. Não no sentido de gênero, e sim na forma como ela se relaciona com a realidade. Essa afirmação é de Tarkovski e cito ela aqui convenientemente. Uma poesia sem palavra, fragmentada, que elucida o desejo, a imobilidade, que não distingue o onírico da realidade, que oferece toda a tecitura da narração corporal e, por sua vez, da própria história. O resultado disso é uma poesia a partir do movimento, e por conseguinte, a dramaturgia da companhia. Acima de tudo, uma ultrateatralidade que encontra na dança uma maior perfeição da gestualidade. É teatro, acima de tudo, com precisão, disciplina e muita magia. Se dizem que em teatro pode tudo, a confirmação disso é fortemente oferecido pela cia dos a deux.

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